quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Liga da Justiça, o bendito "DC Extended Universe" e as inevitáveis comparações com a Marvel

Primeiramente, (Fora, Temer!) boa noite!

Depois de 2 anos sem postagens, deu vontade de escrever, então cá estou!

E sim, como dá pra perceber pelo título, estou aqui pra ser a 21186512ª pessoa a falar sobre o famigerado tema "e a DC no cinema, hein??".

Bom, de antemão, aviso logo que tenho (ao que parece) uma opinião diferente daquela que a maioria das pessoas aparenta ter. Enquanto a maioria do público adora todo e qualquer conteúdo cinematográfico produzido pela Marvel/Disney e tem enorme resistência aos filmes lançados pela DC/Warner desde "O Homem de Aço", lançado em 2013, eu gosto muito de praticamente todos os longas que vêm formando o chamado DCEU (exceção a Esquadrão Suicida, que eu realmente acho meio fraquinho).

Pra tentar ficar mais organizado, vou fazer por tópicos...

A Marvel e a receita que deu certo até demais

Em primeiro lugar, é bom dizer que eu gosto da Marvel. Acho inacreditavelmente imbecil e infantiloide essa rixa "Marvel x DC".

A Marvel acertou demais quando resolveu começar o universo compartilhado no cinema. Não podendo usar os personagens "classe A" como Homem-Aranha, X-Men e Quarteto Fantástico, resolveram apostar no Homem de Ferro, acreditando que conseguiriam um filme redondo, envolvente, divertido, bem feito e com um ator que incorporou perfeitamente o personagem (talvez até por ter personalidade parecida com o Tony Stark).

Todos nós compramos a ideia inédita de histórias interligadas de diversos personagens culminando em filmes de equipe, como Vingadores 1 e 2, Capitão América - Guerra Civil, e os vindouros Vingadores - Guerra Infinita - Partes 1 e 2.

São 9 anos de inúmeros filmes muito bem recebidos por público e crítica, todos seguindo de certa forma o mesmo padrão, com cores um tanto vibrantes, momentos cômicos espalhados por toda a trama pra aliviar momentos mais dramáticos e maior tensão (muitas piadas boas, diga-se), histórias sem muitos furos... Enfim, 9 anos entretendo público e agradando a crítica especializada, o que chama ainda mais público pras salas de cinema.

Repito: 9 anos de filmes. NOVE ANOS. Usando basicamente a mesma fórmula pros seus filmes, apelidada de "fórmula Marvel". Aqui a coisa começou a se perder um pouco pra mim. São muitos filmes e é muito tempo com pouca variação. No MEU gosto, começou a ficar repetitivo, até um pouco cansativo. Depois de 3 filmes do Homem de Ferro, 2 do Thor (sem incluir Ragnarok ainda), 3 do Capitão América, e 2 dos Vingadores, o único "ar fresco" que tive foi quando assisti Capitão América 2 - O Soldado Invernal, que é bem mais puxado pra ação e um pouco de thriller político do que pra comédia.

Mas isso tudo é só a minha opinião, e eu sou minoria. A receita continua com ótima receptividade de todos, e isso afeta diretamente qualquer filme do gênero que vá ser lançado. E é aqui que quero entrar no tema principal.

A DC nos cinemas até hoje: desde Homem de Aço até Liga da Justiça

Aqui já começou com polêmica. Depois da má recepção de Superman Returns, dirigido por Bryan Singer ainda em 2006, a Warner quis aproveitar a altíssima popularidade de Christopher "Pai" Nolan (adquirida pelo trabalho na trilogia que salvou o Batman do ridículo dirigido por Joel Schumacher) pra produzir um novo filme do kryptoniano. Ele foi produtor executivo e ajudou no desenvolvimento da história e do roteiro junto com David S. Goyer, enquanto Zack Snyder foi escolhido para a direção.

A ideia era dar uma abordagem realista e "pé no chão" do Super. Como seria ter no nosso mundo um alienígena tão poderoso? Como as pessoas reagiriam? O que aconteceria?  Pessoalmente, essa abordagem me agradou muito. A visão do personagem como uma divindade, um "Messias" pra humanidade (alimentado por imagens muito muito fodas) e como ele AINDA não estava pronto pra isso, e tendo que lidar com um vilão tão poderoso quanto ele e muito mais treinado pra combate (Zod é muito bom, e o Michael Shannon foi o melhor vilão desse universo até hoje) cujo objetivo é destruir a humanidade e reconstruir Krypton na Terra ("Os alicerces precisam ser construídos sobre alguma coisa." [ZOD, General]). Era óbvio que a destruição em massa na luta entre os dois seria enorme e me surpreendeu muito (pro bem) a decisão de o Super matar o Zod. Lembrando: ele ainda não era mesmo o Superman que todo mundo conhecia do Christopher Reeve. E quando ele mata o Zod, ele faz uma escolha que acho muito foda: ele prefere acabar com todas as chances de a espécie dele renascer pra adotar uma espécie que não é a dele e ele sequer sabe se vai aceitá-lo quando souber da sua existência. Heroico pra caralho!

Então, 3 anos depois, veio o divisor de águas: Batman vs Superman - Dawn Of Justice (sim, tá em inglês porque o título fica bem melhor haha). Veio como uma sequência direta dos eventos de Homem de Aço, com Bruce Wayne testemunhando e sofrendo com toda a destruição da luta entre Super e Zod. Aqui eu vejo o seguinte: essencialmente, é a história da morte do Superman. Se você vai contar essa história, não tem como ser leve, alegre, cheia de momentos de alívio cômico (que, aliás, existem!). O Super, apesar de se esforçar ao máximo e salvar gente em todos os cantos, é terrivelmente contestado por "ações unilaterais" e por ser constantemente incriminado por armações do Lex Luthor. Aí entra o Batman. Lex vê o homem-morcego como uma arma pra destruir o Clark, e usa de armações a manipulações pra fazer com que o Batman visse o kryptoniano como uma ameaça real que não hesitaria em matar quem o contestasse. Com o desenrolar da história (bem amarrada, especialmente se você assistir a versão do Zack Snyder, covardemente retalhada pela Warner) e a solução encontrada pro fim do confronto entre os heróis (não vou aprofundar, mas DEUS SALVE MARTHA), o Superman mais uma vez faz um sacrifício pra salvar o mundo. Ele sacrifica a própria vida pra derrotar o Apocalypse e salvar o mundo que tanto o questiona e teima em rejeitá-lo. Aqui vem o principal ponto da história: a partir de sua morte, Superman salva o mundo e passa a ser aceito pela humanidade, que viu o tamanho do seu sacrifício em prol desta. E isso ainda é o que serve pra restaurar a fé e vontade de lutar em um Batman bruto, desiludido e sem esperança. E aqui eu dou os méritos pro Zack Snyder: a morte do Superman e o modo como ele se tornou uma inspiração, um símbolo de esperança (afinal é isso que quer dizer o "S" no peito haha)... Tudo isso veio da visão do diretor. Aliás, por causa de todo o pessimismo que permeia a maior parte do filme, a maioria das pessoas reclama que "os heróis não são heróis". Sério?? Superman dá a vida pra salvar um mundo em que metade das pessoas o rejeita; Batman reencontra sua humanidade perdida e finalmente "salva sua mãe" (sinto muito por quem não entendeu assim), além de enfraquecer Apocalypse o suficiente pro Super destruí-lo; e Mulher-Maravilha aparece fodalhona com aquela trilha sonora fodaralha pra salvar o Batman e segurar o Apocalypse no lugar pro Super acabar com ele. E no final, Bruce ainda vai convencer Diana de que vale a pena lutar pra salvar o mundo e seguir o exemplo dado pelo Clark ("Eu falhei com ele em vida. Não falharei na morte."). Jura que precisa de mais heroísmo que isso????

Depois veio Esquadrão Suicida... Aqui eu serei breve, não porque não achei grandes coisas, mas porque ele em quase nada acrescenta ao DCEU. Claro, temos vários vilões de diferentes personagens, participações de Flash e Bruce Wayne/Batman (inclusive colhendo informações sobre futuros integrantes da Liga da Justiça). Mas, a rigor, não acrescenta quase nada aos arcos dos personagens principais, motivo pelo qual acho um tanto dispensável. Minha crítica aqui, mais uma vez, vai pro estúdio: a Warner havia soltado um primeiro trailer maravilhoso do filme na Comic-Con de 2016, com um clima soturno, sério, uma trilha sonora fodaralha dando todo o clima. Mas graças à recepção dividida (mais pra mal do que pra bem) de BvS, a Warner claramente mudou a estratégia de marketing do filme e tom do mesmo, diminuindo o tom sombrio e sério e cortando diversas cenas.

Então, tivemos Mulher-Maravilha. A única unanimidade lançada até hoje pela DC/Warner. Gal Gadot foi muito bem escalada pro papel (desde BvS), fizeram ótima escolha ao colocarem Patty Jenkins na direção e história é redonda, segura e bem construída (justiça seja feita, com colaboração de Zack Snyder também). O filme tem um tom mais leve e mais bem-humorado que seus predecessores, como era de se esperar no filme de origem de uma personagem ingênua, que acredita piamente na bondade das pessoas e se apresenta como defensora de tudo o que é bom. A própria diretora deu diversas declarações afirmando que é fã dos filmes do Superman de Christopher Reeve, usando-os como inspiração para o seu filme. Deu muito certo.

Por fim, Liga da Justiça. O filme veio como uma continuação direta de BvS, no qual Batman e Mulher-Maravilha se incumbem da tarefa de juntar pessoas com poderes especiais para lutarem contra o Lobo da Estepe, um "capanga" do chefão da porra toda, Darkseid. Mais uma vez dirigido por Zack Snyder (com cenas extras escritas e dirigidas e finalizado pelo Joss Whedon) e com roteiro de Chris Terrio (mesmo de BvS) e Joss Whedon. A mudança de tom é óbvia e esperada, não só pela experiência com seu antecessor, mas anunciada pela própria equipe criativa do filme ainda quando BvS estava às vésperas de ser lançado. Terrio e Snyder já havam falado que Liga seria mais leve aventuresco, como uma "louca aventura espacial inspirada em Jack Kirby", palavras do próprio Snyder (Kirby, inclusive, foi o criador dos Novos Deuses, personagens da DC, dentre os quais se inclui o vilão Darkseid). Mas não é só pela "aventura" que o filme é mais leve e mais bem-humorado...

SPOILERS SOBRE LIGA DA JUSTIÇA

Trata-se de uma história de ressurreição. Como era de se esperar, não há Liga da Justiça sem o Superman. Aqui, o Super ressurge e finalmente completa o seu arco: depois de assumir a capa vermelha, abdicar de suas origens em prol da humanidade e dar a sua vida por esse povo, aqui ele ressurge como o "farol de luz", o símbolo vivo de esperança que Jor-El tanto esperava. Não só ele, mas vemos um Batman renovado desde o fim de BvS, Mulher-Maravilha assumindo papel de protagonismo e liderança na Liga após o trauma de perder Steve Trevor na 1ª Guerra Mundial, Flash sendo o alívio cômico (por vezes até um pouco exagerado, na minha opinião) e brincalhão empolgado com os heróis que o cercam, Cyborg deixando um pouco seus conflitos de lado para salvar seu pai e Aquaman aceitando (um tanto relutantemente) seu dever de herói e futuro rei de Atlântida.

Enfim, apesar de alguns problemas com algumas coisas do filme (CGI um pouco mal feito pra esconder o bigode do Henry Cavill, piadas meio sem graça), vejo o tom como um acerto. Mesmo com a adoção de um tom mais "sombrio e realista" (raiva desse clichê) no início do e universo, acho que tudo faz parte de uma evolução natural dos próprios personagens, desde o momento em que eles são retratados no início até a culminação de heroísmo em Liga da Justiça.

As inevitáveis comparações

Bem se vê a diferença nítida de tratamento e ideias dos dois estúdios. A Marvel/Disney teve uma ideia clara desde o início e que foi mantida com pontuais e levíssimas variações, já que foi muito bem recebida por público geral e críticos de cinema.

A DC/Warner, por outro lado, apostou no início em uma visão diametralmente oposta, jogando heróis consagrados em um mundo "real", com todos os problemas que vivenciamos e imaginando como eles se inseririam neste contexto.

Me agrada mais a abordagem da DC. Não só porque gosto muito mais dos seus personagens, mas porque, como disse lá em cima, a Marvel faz filmes com a mesma "fórmula" há mais de 9 anos. Pra mim, a proposta de sua concorrente oferece algo diferente, ousado e "fresco".

E agora, DC?

Acompanhando um pouco as notícias que saem, parece que nem a própria Warner sabe o que fazer.

Liga da Justiça não vem recebendo tantas críticas positivas quanto se esperava, o que fez com que arrecadasse menos do que se esperava no fim de semana de estreia nos EUA.

De concreto, teremos Aquaman no fim de 2018, Mulher-Maravilha 2 e Shazam.

Rumores sobre Gotham City Sirens, Asa Noturna, Batgirl e Exterminador. Também não se sabe se Ben Affleck continuará no papel de Batman, inclusive no filme solo que será dirigido por Matt Reeves.

Como fã, acho tudo isso um pouco preocupante. Seria muito melhor se houvesse a mesma segurança transmitida por Marvel/Disney por meio do seu chefe criativo Kevin Feige.

Vejamos o que acontece...







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